Zé Fortuna & Pitangueira

José Fortuna, o nosso maior poeta, nasceu no dia dois de outubro de 1923, no Bairro da Aldeia, no município de Itápolis. Era filho de imigrantes italianos, Domingos Fortuna e Antonia Damico Fortuna.

É considerado um dos maiores poetas sertanejos, com páginas antológicas do nosso cancioneiro raiz, entre elas: Índia, Paineira Velha, Terra Tombada, O Ipê e o Prisioneiro e tantas outras que só um talento como José Fortuna seria capaz de compor.

Saindo de Itápolis, juntamente com seu irmão Euclides (Pitangueira), viajando na  antiga e extinta Maria Fumaça, partiram para São Paulo no ano de 1947. Uma história de dois irmãos unidos pela vida e pela música nos seus 36 anos de carreira.

Euclides Fortuna, o Pitangueira, foi o representante de uma geração de artistas que fincaram raízes profundas na história da música sertaneja em nosso país.

Irmão e parceiro de Zé Fortuna, integrou a Cia Teatral Maracanã e ajudou a criar peças teatrais, durante os vinte anos que percorreram cidades e capitais brasileiras, no tempo em que o asfalto ainda não havia chegado à maior parte delas,  os meios de comunicação eram incipientes e o grande companheiro dos artistas era tão somente o pó vermelho das estradas do sertão.

 Inesquecível para quem o viu interpretando o mendigo cômico na peça "Voz de Criança", levada ao palco milhares de vezes.

O trio Zé Fortuna, Pitangueira e Zé do Fole gravou mais de quarenta LPs, ainda em vinil, sendo que a primeira gravação deles foi a música "Lágrimas de Mãe", ainda em 78 rpm.

José Fortuna foi compositor, poeta, ator, artista e a maioria de suas músicas era de própria autoria. Era o companheiro inseparável de seu irmão Pitangueira e juntos, faziam programas de rádio em São Paulo, apresentações nos circos, onde além do show, também apresentavam peças teatrais de sua autoria.

Casou-se com Durvalina Ferreira, natural de Taquaritinga, que residia na capital, no dia 10 de janeiro de 1953. Dessa união nasceram Marlene e Iara Fortuna.

José Fortuna sofria do mal de Chagas, doença transmitida pelo “bicho barbeiro”. O sucesso continuava até que, em 1974, começou a sentir fortes sinais de depressão, não queria mais viajar, então resolveu parar, encerrando a carreira.

O último espetáculo foi no sul do Paraná, terminando assim a peregrinação da dupla. Apesar da saúde debilitada, não parou de compor.

Faleceu no dia 10 de novembro de 1983, serenamente, em sua residência, no Bairro do Tucuruvi, em São Paulo. Seu corpo foi sepultado no cemitério do Morumbi, ao som da música “Riozinho”, a pedido seu. Deixou centenas de letras de músicas escritas, as quais foram gravadas posteriormente por outras duplas sertanejas, entre elas: Terra Tombada, gravada por Xitãozinho e Xororó.

No Bairro da Aldeia, no lugar próximo onde ficava a casa em que nasceu, há uma lápide com a seguinte inscrição: “Da terra nasce o homem que se perpetua de acordo com sua obra” e, na Praça Roberto Del Guercio, encontra-se o seu busto de bronze debaixo de uma paineira.

Durante sua vida recebeu inúmeras homenagens de muitas cidades e entidades.

Em Itápolis não poderia ser diferente e, no dia 05 de abril de 1977, a Câmara Municipal aprovou o Decreto Legislativo nº. 23, o qual concede o Título de “Cidadão Benemérito” ao seu ilustre filho, José Fortuna e o mesmo foi entregue no dia 20 de outubro do mesmo ano, por ocasião das festividades do 115º Aniversário da cidade. O evento aconteceu no Ginásio de Esportes completamente lotado para receber o ilustre homenageado.

A Lei nº. 2433/2077, de 27/09/2007, institui a Semana "José Fortuna e dá outras providências.

Outra Lei, a de nº. 2434/2077, de 27/09/2007, dispõe sobre denominação de Escola Municipal como Escola Municipal de Ensino Artístico "Poeta José Fortuna" e dá outras providências.

O Decreto nº. 1.167, de 17 de agosto de 1983, dispõe sobre denominação de via pública, assim, a Avenida Boiadeira passa a denominar-se "Avenida José Fortuna".

Para maiores detalhes da carreira da dupla acesse: http://www.josefortuna.com.br