Darci Maria Alves Barelli

Darci é natural de Itápolis. Filha de Dª Rosa Broderhausen Alves e Ramiro Alves, onde iniciou seus estudos e concluiu o Curso Normal no Instituto de Educação Valentim Gentil, de Aperfeiçoamento e de Administrador Escolar..

Casou-se com o Prof. Nilso Barelli e da união nasceram os filhos: Eliano, Oriana, Décio e Breno, que lhes deram a maior paixão de sua vida, seus netos: Martin, Hamaya, Mariella, Lucca, Victor e Joaquim.

Reside em Araraquara desde 1970. Nesta cidade, de 1972 a 1975,  cursou e concluiu o Curso de Letras na antiga Faculdade de Ciências e Letras local

Dedicou grande parte de sua vida lecionando e é aposentada como Professora Primária.

O gosto por poesias, contos e crônicas, leva-a até a Associação dos Escritores de Araraquara, da qual faz parte e participou do lançamento de duas coleções: "Poesias, Contos e Crônicas" e " Verde Vida" com poesias e "Lembranças da Infância" com o texto "Lembrança Inesquecível".

Além disso, é autora de diversas poesias e crônicas que foram publicadas em jornais elaborados pela AEAR (Associação dos Escritores de Araraquara) e algumas em jornais de Itápolis.

Foi a autora do título "Intrepidez e Determinação Marcam História", obra do autor Tadeu José Alves dos Santos e Neusa Maria Luiz (ORG) em homenagem ao cinquentenário do Curso de Química-UNESP(Araraquara).

É membro da AAL - Academia Araraquarense de Letras desde maio de 2012, onde ocupa a sexta cadeira.

Atualmente, trabalha na elaboração do seu primeiro livro.

Coletânea I - Poesias, Contos e Crônicas

Participação: Vozes no Ar e À Angélica

Antologia dos Acadêmicos e patronos da Academia Araraquarense de Letras

Participação: Aplacai - Triste Cãozinho e Voo Inédito

Coletânea II - Verde Vida

Participação: Estrelinha Branca e Lamento

Coletânea I - Poesias, Contos e Crônicas
Vozes no Ar À Angélica

Melodiosas vozes

Longínquas...

Encanto perfeito de sons...

Incessante ressoar

tão alegre cantar

meio a folhas reluzentes

no novo dia que surge

Não importa o tempo, lugar

sempre dispostos estão

a saudar com gratidão

ao Autor e Criador

na sua imensidão

Belo Exemplo

nos faz despertar...

acordar.

Aprender agradecer.

Entoar uma canção

Saudar a Deus Supremo

Autor da Criação

Na beleza da flor que se abriu

Na infinita bondade do "Ser"

No meu coração se abriu

A alegria incontida de ser.

No verde do talo altivo

Na beleza das pétalas da flor

Ao perfume aspirei entre a cor

De suas pétalas de branco vivo

Do inebriante e suave olor.

Na alegria incontida de ver

Aparecer após longa dormida

Aquela que um dia plantei

Esperando sua flor ocorrer.

Tanto tempo passou

E de lugar mudou

Aquela que para desabrochar

No seu exato tempo andou.

 

Antologia dos Acadêmicos e Patronos da Academia Araraquarense de Letras

Aplacai Triste Caõzinho

Voo Inédito

Calai! As vozes que na ar ecoam.

Calai! O som que chega aos meus ouvidos.

Calai! Os ruídos que incessantemente perturbam.

As vozes que ininterruptamente não cessam de falar.

Calai! Os que na noite perambulam e não cessam de gritar.

Calai! O som das igrejas com seus pungentes hinos.

Calai! Na noite adentro o apito do guarda intermitente.

Calai! Os cães que ladram e tiram a paz.

Calai! Calai! Calai! Tudo e a todos!

No ar transformado voz ecoa:

Deixem-me dormir! Deixem-me sonhar!

Suavemente outra voz se ouve:

Aplacai! Aplacai! Aplacai! Ó tempestade ruidosa de sons

Que sobre tua vida caem e te consome.

"Oxalá se aquiete, emudeçam as aterradoras vozes que

Internamente te machucam, te sufocam e que impedem

"Que em ti haja paz".

O cãozinho chegou

Triste. Mudou-se de casa.

Seu novo dono lhe deu

Novo espaço, ração, afagos.

O cãozinho ficou

Alegre. Viu uma criança.

Cresceu.

O tempo passou.

Descaiu-lhe o semblante.

Não fez mais festinha e

Não se entortou todinho.

Ao encontro do seu dono.

Morreu aquela, que por muito tempo,

Seu espaço com ele dividiu,

E o adotou por filho

Assim que o viu

Encolhido num canto ficou

Tristonho. Passou pelo vão do portão.

Infeliz. Ganhou a rua e ninguém viu.

Posou fora uma vez.

Quando o encontrou, seu dono

para alegrá-lo, adotou uma cachorrinha.

Ele se transformou e ficou

Feliz. Viu a linda cachorrinha.

Correram, brincaram,

Naquele espaço gramado.

Um dia... Que ironia!

Quando se encontravam sozinhos,

No mesmo chão que correram,

Abocanharam "delicioso" petisco

Que lhes atirou pelo muro

Um feroz vizinho.

Ela mais frágil que ele, logo tombou.

Respiração ofegante, corpo retezado,

Repetidas convulsões, depressa sucumbiu.

Ele lutou a noite inteira, como valente guerreiro.

Não houve antídoto capaz de v=reverter

mal atroz. Potentes venenos!

Não resistiu.

Foi enterrado no mesmo local e

Junto da derradeira companheira.

Entristecido, seu dono chorou copiosamente

Seu olhar no vazio se perdeu.

Sem afagos, sem latidos,

E ao versejar relembrou

Das belas e inofensivas vidas

Tão cruelmente abatidas.

É esta a história narrada por um pássaro pensante e do seu voo especial e deveras diferente.

"Quando cresci, voei livremente no azul celeste. Um dia, pousei nas mais exótica e bela s flores

de um lindo e perfumado jardim. Reabasteci minhas energias na bela lanterninha japonesa e

quando me afastei dela, bem à minha frente, vi um imenso espaço e senti forte atração pela

Diversidade do maravilhoso colorido de outras flores.

Fascinado adentrei aquele lugar encantado, de grande amplitude e incontável variedade de flores.

fiquei deslumbrado.

Parei no ar, bem na frente da flor cujo tom me fascinou. Bati minhas asas seguidas vezes. Toquei-a

Suavemente, pensei absorver o néctar. Nada encontrei. Dela me afastei rapidamente.

Segui outra direção, de flor em flor, pousei em muitas delas que me atraíram por sua beleza perturbadora.

Elas me ofuscaram tanto que me senti meio zonzo.

Voei o mais alto que pude, de cá pra lá, bati minhas asas repetidas vezes, voei sem parar

Sempre no sentido horizontal e de um lado para outro muito atordoado.

Eu lá em cima e elas lá embaixo. Senti minhas asas um tanto pesadas, mas continuei meu voo

Bem no alto e sempre no mesmo sentido durante longo tempo.

Continuei tonto ante tanta beleza de cores e formas encantadoras em busca do precioso néctar.

Mais e mais vezes tentei energizar-me. Cada vez mais que eu tentei descer, subi mais. Cada vez que

Desci um pouco, me perdi e voei mais e mais para cima.

Aprisionado, fiquei aturdido. Voei às cegas e tentei voltar por onde entrei. Tentei bater minhas asas.

Percebi que minhas energias se esvaíram e que meu coração disparou.

De súbito vi uma claridade e coloridos imensos. Desci em direção a eles. Caí exangue ao pé de

Uma alta cadeira daquela imensa sala. Indefeso, todo dolorido, asas caídas ao longo do corpo.

Silêncio. nenhuma reação. Só estremeci quando senti um suave toque no meu enfraquecido corpo e engoli gotinhas de água adocicada. Continuei prostrado. Mais umas gotinhas.

Percebi que alguém com extrema delicadeza colocou meus pés na beirada de um vaso, que junto a um bebedouro.

Mal me sustive em pé. O tempo foi passando, ainda meio zonzo titubeei, mas ensaiei um pequeno voo.

Ali permaneci e senti que minhas asas ainda não totalmente leves, continuaram meio caídas.

Assim fiquei e consegui calmamente permanecer até o momento quando tentei outro voo até a borda de outro vasp florido.

Descansei. Silêncio. Tentei um voo mais alto. Consegui. Quando transpus o alto muro embora tortinho, voei completamente livre e alcancei as janelas do céu junto de outro beija-flor.

Coletânea II - Verde Vida

Estrelinha Branca

Suzi subiu no ônibus que a levaria com outras pessoas para o último passeio daqueles dias de férias.

Ajeitou sua bagagem de mão, sentou-se e quando o ônibus partiu, recostou-se no banco e ficou a olhar pela janela.

Sensível às belezas naturais e embevecida não se cansava de olhar o que desfilava diante dela: desde as minúsculas margaridas brancas até os mais variados matizes de flores campestres.

Notou que pequenos e belos buquês de miúdas brancas flores, surgiam a todo instante e se destacavam das demais.

Suspirou profundamente quando viu lavandas, reconheceu giestas e outros pequenos pontos multicores que apareciam à direita... à esquerda...

Viu que os buquês das pequenas flores, sobressaíam entre o tufo das folhagens verdes presas em galhos de imensos arbustos.

Suzi via aqueles buquês pontilhados de forma tão especial que murmurava baixinho:

Ó singular beleza! Fascinante... Tocante...

Enquanto fixava intensamente seu olhar no brilhos das miúdas flores, sentia as pálpebras pesadas e seus olhos se fecharam e adormecia.

Um espetáculo se desenrolava diante dos olhos de Suzi, tão encantador que fazia seu coração crescer.

Bem à frente dela, surgia exuberante floresta com matas impenetráveis e tesouros escondidos.

De repente, um caminho se abria na intrincada mata e com o coração aos saltos, Suzi adentrava a floresta e via os pequenos buquês por todos os lados.

Enquanto caminhava, ela sentiu o estalido das folhas secas sob os pés e uma intensa leveza que impulsionava os seus passos mais e mais para frente.

Quando Suzi ouvia um belo canto de um pássaro, sentia-se elevar além das alturas.

Ela voava acima de toda vegetação daquela rica floresta e a lugares mais distantes.

Sobrevoava vales, montes, montanhas e nas encostas cultivadas via gigantes frutos que se lhe ofereciam graciosamente para saboreá-las.

Deslumbramento total! Observava tudo atentamente e via também nesse meio, perfeita harmonia e equilíbrio.

Sentia novo impulso para continuar seu voo.

Árvores apareciam agora margeando rios que nasciam entre pedras.

Os rio corriam tranquilamente límpidos e levavam apenas o que permitia a natureza: suas águas.

Mais além... campos e campos muito bem organizados, cultivados e novamente a presença dos infinitos pontos brancos.

Sentia suave perfume de rosas quando um forte vento soprava tudo e a todos; sacudia todo arbusto de buquês brancos que se dobrava até o chão.

Daquelas pequenas flores se desprendiam sementes que brilhavam e se transformavam em pontos de luz que voava em direção do som de vozes que ecoavam no ar:

- Estrelinha Branca! Onde está você? Venha até nós, precisamos de seu brilho!

Suzi maravilhada, via agora infinitos pontos de luz brilhantes e ofuscantes brilhando.

Emocionada, ela voava com as sementes e chegavam a um lugar distante onde o equilíbrio entre os reinos da natureza se rompem e passara grande mal e tristeza aos moradores e seu meio.

Os semblantes tristes denotavam que agora compreendiam a intensidade que o impacto dos atos individuais representavam no contexto global.

Ela via milhares de braços estendidos que corriam na direção da Estrelinha Branca e diziam:

- Que bom tê-la aqui!

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Lamento

 

Árvore é o que no alto sou e... majestosa!

Rente ao chão, logo estou e... desditosa.

Veja indiferentes humanos arrastando tudo

O que mãos impiedosas destroem.

Roubam minha bela folhagem e rica linhagem.

Estirada no meu pobre solo, murmuro chorosa.

 

Que devastação!

Uma vez mais nosso rico “habitat” é agredido.

E o que nele existe deveras destruído...

 

Choram as árvores que no alto estão.

Há muito... atônitas e impotentes veem

O que sobeja das espécies e...

Ruir a todo instante tão belo porte.

Ante tal desdita, a desolação.